Kelcia Patrícia Batemarque
Mestranda no Programa de Pós-graduação em
Educação/UFR; Professora da Rede Municipal de Ensino de Primavera do Leste/MT
Viviane Drumond
Doutora em Educação - Docente no Programa de
Pós-graduação em Educação/UFR
RESUMO
Este artigo problematiza o potencial formativo das narrativas indígenas
com ênfase em produções de autoria indígena na Educação Infantil, destacando
sua contribuição para a ampliação de repertórios culturais, para a mobilização
da imaginação e da dimensão afetiva e para a produção de sentidos pelas
crianças por meio da leitura e da contação de histórias. Inserido no contexto
sociocultural brasileiro, atravessado por desigualdades históricas e pela
persistência de preconceitos, o estudo sustenta a urgência de incorporar tais
narrativas ao cotidiano escolar como estratégia para valorizar a pluralidade
cultural, aproximar as crianças de cosmologias, memórias, rituais e modos de
vida dos povos originários e, simultaneamente, tensionar estereótipos
naturalizados em práticas educativas e materiais didáticos. Metodologicamente,
trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica e documental, fundamentada
em referenciais sobre literatura na infância e interculturalidade, articulados
à análise de obras da literatura indígena. Os resultados são organizados em
três eixos analíticos: (i) a literatura, ao veicular narrativas várias,
favorece o desenvolvimento infantil e a construção de valores éticos, como
respeito e empatia; (ii) a presença sistemática da literatura indígena
contribui para o enfrentamento de preconceitos ao oferecer representações
plurais e perspectivas outras, favorecendo abordagens iniciais de identidade e
pertencimento compatíveis com a faixa etária; e (iii) sua inserção curricular
configura-se como componente relevante para a concretização da Lei nº
11.645/2008, embora permaneçam desafios relacionados à disponibilidade de
acervos e à formação docente. Conclui-se que a interculturalidade, no âmbito do
estudo, é compreendida não como procedimento pedagógico restrito, mas como
compromisso ético-político orientado ao diálogo, ao reconhecimento da diferença
e à promoção de uma educação democrática e socialmente justa.
Palavras-chave: Educação Infantil. Interculturalidade. Literatura indígena.


