DOI: 10.5281/zenodo.18567444

 

Kelcia Patrícia Batemarque

Mestranda no Programa de Pós-graduação em Educação/UFR; Professora da Rede Municipal de Ensino de Primavera do Leste/MT

 

Viviane Drumond

Doutora em Educação - Docente no Programa de Pós-graduação em Educação/UFR

 

RESUMO

Este artigo problematiza o potencial formativo das narrativas indígenas com ênfase em produções de autoria indígena na Educação Infantil, destacando sua contribuição para a ampliação de repertórios culturais, para a mobilização da imaginação e da dimensão afetiva e para a produção de sentidos pelas crianças por meio da leitura e da contação de histórias. Inserido no contexto sociocultural brasileiro, atravessado por desigualdades históricas e pela persistência de preconceitos, o estudo sustenta a urgência de incorporar tais narrativas ao cotidiano escolar como estratégia para valorizar a pluralidade cultural, aproximar as crianças de cosmologias, memórias, rituais e modos de vida dos povos originários e, simultaneamente, tensionar estereótipos naturalizados em práticas educativas e materiais didáticos. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica e documental, fundamentada em referenciais sobre literatura na infância e interculturalidade, articulados à análise de obras da literatura indígena. Os resultados são organizados em três eixos analíticos: (i) a literatura, ao veicular narrativas várias, favorece o desenvolvimento infantil e a construção de valores éticos, como respeito e empatia; (ii) a presença sistemática da literatura indígena contribui para o enfrentamento de preconceitos ao oferecer representações plurais e perspectivas outras, favorecendo abordagens iniciais de identidade e pertencimento compatíveis com a faixa etária; e (iii) sua inserção curricular configura-se como componente relevante para a concretização da Lei nº 11.645/2008, embora permaneçam desafios relacionados à disponibilidade de acervos e à formação docente. Conclui-se que a interculturalidade, no âmbito do estudo, é compreendida não como procedimento pedagógico restrito, mas como compromisso ético-político orientado ao diálogo, ao reconhecimento da diferença e à promoção de uma educação democrática e socialmente justa.

Palavras-chave: Educação Infantil. Interculturalidade. Literatura indígena.