DOI: 10.5281/zenodo.19371663

 

Cleyton Soares Silva

Graduando(a) do Curso de Educação  Fisica do Centro Universitário UniFatecie; e-mail: autor1 cleytonssoares@email.com.

 

Professor Mestre. Celso Alvez

 

Orientador: Professor Dr. Carlos Eugênio Líbano

 

RESUMO

A capoeira é uma expressão cultural afro-brasileira que articula elementos de luta, dança e música, originada como forma de resistência dos africanos escravizados no Brasil. Desenvolvida nos quilombos e senzalas, a prática foi criminalizada durante os períodos colonial e imperial, sendo associada à marginalidade e reprimida pelas autoridades. No século XX, com a atuação de mestres como Bimba e Pastinha, e o apoio do governo de Getúlio Vargas, a capoeira passou a ser reconhecida como esporte nacional. Em 2008, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registrou a capoeira como bem cultural brasileiro, dividindo-a em duas expressões: o Ofício dos Mestres e a Roda de Capoeira. Em 2014, a UNESCO declarou a Roda de Capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, reconhecendo sua relevância como símbolo de resistência, identidade afrodescendente e interculturalidade. A roda, espaço ritualizado de transmissão de saberes, promove redes de sociabilidade, hierarquia e solidariedade entre os praticantes. A globalização da capoeira trouxe desafios contemporâneos, como tensões entre tradição e inovação, debates sobre autenticidade e apropriação cultural. A política de salvaguarda exige ações contínuas para preservar os saberes ancestrais e garantir o protagonismo das comunidades de origem. Além disso, a capoeira é reconhecida como atividade social que estimula a inteligência interpessoal, promovendo empatia, comunicação não verbal e cooperação. A trajetória da capoeira, da escravidão ao reconhecimento internacional, evidencia o poder da cultura como instrumento de resistência, memória e transformação social, reafirmando o valor da diversidade cultural e da luta por justiça histórica.

Palavras-chave: Capoeira , Indigénas , Escravidão